Em 1984, três coisas aconteceram ao mesmo tempo no carnaval carioca: a inauguração do Sambódromo, o primeiro desfile dividido em dois dias, e a decisão de um mestre-sala de 56 anos que sabia estar vivendo seu último baile. Delegado desfilava pela Mangueira desde 1948. Comandaria a evolução de Yes, nós temos Braguinha quando ainda era o melhor.
A Mangueira desfilou na segunda-feira. Delegado entrou na Passarela do Samba ao lado de Mocinha. A verde-rosa foi supercampeã — e a apoteose veio na forma de um delírio jamais repetido: a escola voltou pela avenida, consagrando o título.
— Achei que era a hora. Minhas porta-bandeiras estavam se aposentando, não fazia mais sentido — dizia Delegado, disfarçando com modéstia uma decisão rara.
Parar no auge é gesto de poucos. Delegado deixou a função quando ainda era referência absoluta, quando qualquer escola do Rio o queria. Não esperou o corpo desistir. Saiu consagrado, depois de comandar o primeiro supercampeonato do Sambódromo.
Passou a desfilar no carro de baluartes, ao lado de Nélson Sargento, Ed Miranda e Raymundo de Castro. Mas continuou frequentando os ensaios técnicos de todas as escolas, com olho clínico, vigiando os casais da bandeira.

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