Padeirinho e o Samba Feito pra Chatear

Padeirinho da Mangueira sentado em um banco de bar tocando pandeiro com prateleiras de garrafas ao fundo

Um amigo tinha brigado com a noiva e chegou pro Padeirinho com um pedido inusitado: queria um samba só de gírias, feito pra chatear a menina. Padeirinho relutou. Não era esse tipo de encomenda que o animava. Mas o amigo insistiu tanto que o sambista cedeu. Daquela provocação nasceu Mora no assunto.

Padeirinho — chamado assim por ser filho de padeiro — compunha na calada da noite, arquivava suas criações num caderno de estudante que guardava escondido no barraco.

Quando ficou pronto, apresentaram o samba para Francisco Ribeiro, seu Chico Porrão, então diretor da escola. Francisco escutou por cinco minutos e mandou parar. Censurado. As pastoras, porém, gostaram. E quando as pastoras da Mangueira adotam um samba, não tem diretoria que segure. Sempre que Mora no assunto era tocado nos ensaios, a quadra enchia. Chico Porrão foi obrigado a recuar.

O samba ganhou as ruas e chamou a atenção de Jamelão, que gravou Mora no assunto sem pedir autorização a Padeirinho. O compositor não ligou muito no começo. Mas o pessoal começou a reclamar. Demorou três meses até conseguir assinar o contrato.

— Esse negócio de gravação não é comigo. Eu não vivo disso, meu amigo. Sou estivador e gosto mesmo é de compor na calada da noite.

A história de Padeirinho com a Mangueira não começa nem termina nesse samba.

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