O Guardião do Palácio do Samba

Retrato em preto e branco de Tio Jair, um homem negro idoso com barba branca, vestindo camisa de manga curta. Ele está sentado e gesticula com a mão esquerda aberta. Ao fundo, uma parede com calendários, sendo um deles visivelmente de 1988, e a luz forte de uma janela à esquerda

Tio Jair era mineiro de Bicas, mas já torcia pela Mangueira antes de conhecer o morro, quando pegou o trem da Estrada de Ferro Leopoldina e parou em Barão de Mauá. “De Barão de Mauá pra Estação Primeira foi um pulo”, lembrava. Bastou ver uma menina saindo no infantil da verde-rosa para a vida mudar de rumo.

Foi na Mangueira que conheceu dona Maria. Casaram em 1947. Três anos depois mudaram pro morro — rua Francisco Ribeiro, nome do popular Chico Porrão, sócio número um da escola.

Tio Jair virou diretor de patrimônio em 1972. Daí em diante, não tinha mais hora pra chegar nem pra sair. Era comum vê-lo às seis da manhã abrindo o Palácio do Samba. Recebia a imprensa, ouvia as reclamações do morro, dava informações para todos.

— Isso aqui é uma cachaça. Acordo e venho direto para a Mangueira. Sou responsável por tudo que temos dentro da quadra. O público, quando vem ao samba, também é patrimônio da escola.

Tio Jair não cuidava apenas das cadeiras, das mesas, dos instrumentos da bateria. Cuidava das pessoas.

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