Como Foi que me Viram?

Nininha Xoxoba da Mangueira celebrando com os braços erguidos em casa

Treze anos se passaram desde aquele carnaval de 1965, quando Nininha quase ficou de fora por falta de dinheiro para a fantasia. Nesse tempo, a Mangueira mudou de enredos, presidentes e gerações de sambistas — mas ela seguiu firme, desfilando ano após ano.

Foi no carnaval de 1978 que a notícia chegou: tinha sido escolhida como grande destaque feminino do Estandarte de Ouro.

Naquele ano, a Mangueira apresentou Dos carroceiros do imperador ao palácio do samba, celebrando os 50 anos da escola. Nininha vestia fantasia em tons degradê, inspirada nas damas dos antigos ranchos — representava a porta-estandarte do rancho Príncipe das Matas, um dos que ajudaram a plantar as sementes da Estação Primeira.

Na quadra, comemorando, sorria, chorava. Quando enfim conseguiu falar, confessou que tinha medo de morrer de tanto contentamento. Disse que, quando esse dia chegasse, queria que Zica e Cartola velassem seu corpo na quadra, com o surdo marcando o compasso.

Foi nesse instante que Delegado apareceu. O abraço foi longo, firme. E, como nos tempos de glória, começaram a cantar: “Estamos aí, estamos aí. Mangueira tem fortes raízes e não pode cair…”

Ainda incrédula, repetia: “Como foi que me viram? Como foi que me escolheram?”

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