Zica sabia exatamente com quem estava lidando.
Quando Cartola se aproximou dela na casa da irmã Menininha — Clotilde, esposa de Carlos Cachaça —, ela estava lavando roupa e ele veio com conversa. O entendimento foi rápido, mas Zica travou o freio na hora certa:
— Eu disse a ele que achava que não ia dar certo, por ele ser muito mulherengo.
Zica tinha chegado àquela casa viúva do beque Carlos, com duas filhas criadas e um menino adotado, Ronaldo, a quem Cartola daria o próprio nome mais tarde. Não era mulher de se deixar levar por encanto fácil.
Mas em 1954 passaram a viver juntos. Dez anos depois, subiram ao altar na igreja do Sagrado Coração de Jesus, na Glória. Cartola levou um presente: a música Nós dois, composta para aquele dia. Do lado de fora, jornalistas, fotógrafos, curiosos.
— Da primeira vez que eu me casei, era muito pobre e a coisa foi bem simples. Agora, já velha, cercada daquela pompa toda!
Teve padrinho bom: Hermínio Belo de Carvalho, Jota Efege e Mário Baladini. Teve música feita na medida. Não teve foto. Do casamento todo, Zica guardou apenas um recorte de jornal.

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