Zé Crioulinho chegou ao morro da Mangueira com dois anos de idade. Veio de São Fidélis, no interior do estado, sem saber ainda o que aquele lugar ia fazer com ele.
Cresceu entre becos e ladeiras e foi construindo uma vida que não dava pra separar da escola. Quando se casou com Odinéia Diniz dos Santos, a tia Néia, o enraizamento ficou ainda mais fundo. Tia Néia era irmã de Geraldo da Pedra, compositor da Mangueira, e de Cremilda, mulher de Padeirinho. Zé Crioulinho não entrou só numa família — entrou numa ramificação inteira da história verde-rosa.
Juntos, criaram 15 filhos. E a Mangueira foi passando de geração em geração como se fosse herança de sangue. Neide dos Santos virou madrinha da ala da bateria. Bozó, o Denílson, seguiu o pai no surdo.
Ele era a prova viva da frase de Ataliba: “Por mais forte que o galho seja, quem sustenta o tronco é a raiz.”
Zé Crioulinho era uma dessas raízes.

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