Três Carlos, Um Cachaça

Carlos Cachaça sentado em sua casa no morro de Mangueira segurando troféu, com televisão e móveis ao fundo

Na casa do Tenente Couto, na praça Onze, o domingo tinha roteiro certo: feijoada, compositores e as três filhas do anfitrião. O Tenente era do Corpo de Bombeiros, e seu terreno na rua Senador Eusébio virou ponto de encontro de gente que fazia música no Rio dos anos 20. Valsistas famosos apareciam por lá, cada um com suas intenções — e boa parte delas, segundo o próprio Carlos, era dirigida às filhas do dono da casa.

No grupo havia três homens chamados Carlos. Para a feijoada, todo mundo pedia cerveja preta. Todo mundo menos um: Carlos Moreira de Castro preferia cachaça. Era gosto mesmo. E o gosto era consistente: o apelido veio sem cerimônia — aquele ali era o Carlos da cachaça, e Carlos Cachaça ficou.

O nome grudou. A bebida, anos mais tarde, ficou restrita a ele. Um princípio de derrame recomendou distância, e Carlos obedeceu.

Mas não guarda mágoa: “Para mim só fez bem. Pelo menos nunca tive problemas de fígado.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *