Poucas pessoas sabem que o presidente Elmo José dos Santos tinha um apelido: Rato do Tamborim. Com 23 anos, liderava o Juventude Samba Show — também conhecido como Os Meninos da Mangueira —, grupo de instrumentistas nascidos e criados no morro. E naquele Carnaval de 1979, além de puxar o desfile ao lado de Jamelão, tinha seu nome como coautor do samba-enredo da escola, Avatar. E a Selva Transformou-se em Ouro.
— O samba acabou sendo uma “acumulada” de três composições: os sambas do Ananias e do Tolito e o meu.
O Juventude Samba Show não havia nascido por ambição. Nasceu por necessidade. A roda de samba da Mangueira estava com muito prejuízo, quase falindo. Foi Osni da Cuica — 25 anos, já reconhecido como um dos grandes conhecedores do instrumento — quem explicou a origem do grupo:
— Todos nós vivemos e sambamos com a Mangueira desde crianças, e resolvemos dar uma força para a escola.
Dar uma força. Pelo terceiro ano consecutivo, o grupo abria o desfile da Mangueira no carro de som, acompanhando Jamelão. Depois de encerrada essa função, voltavam para se integrar à ala dos passistas — onde já eram considerados um verdadeiro destaque. Abriam o desfile e ainda sambavam nele. Posição polivalente, como eles mesmos diziam com orgulho.
Seu Ananias (José Ananias de Marcelo, presidente da escola de 1989–1992), veterano da escola e parceiro de Rato no samba-enredo daquele ano, resumia o que os meninos representavam para os mais velhos:
— O pessoal ficava vibrando com a dedicação e a arte destes garotos, todos vindos da bateria-mirim da escola, com samba e ritmo de deixar muita gente arrepiada.
O grupo havia participado da gravação original do samba-enredo e ainda gravado um disco compacto:
— Nós ficamos emocionados em ter nossos nomes ao lado de músicos famosos, e só fez aumentar os ensaios para honrar nossa escola no desfile. O pessoal ficava falando que nós podíamos até conquistar o Estandarte de Ouro de O Globo, e só de pensar nisso a moçada afinava os instrumentos e se preparava para fazer bonito.

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