Rato do Tamborim e o Samba de 79

Conjunto Juventude Samba Show em acrobacia durante desfile da Mangueira. Da direita para esquerda: Lula do Surdo, Elmo (Rato do Tamborim), Chuchu da Cuíca em cima, Didi no agogô embaixo, Agnaldo do Reco-Reco, Elsinho do Pandeiro e Jaguara do Repique ao fundo, todos fantasiados de branco com adereços dourados

Poucas pessoas sabiam que o presidente Elmo José dos Santos tinha um apelido: Rato do Tamborim. Com 23 anos, liderava o Juventude Samba Show — também conhecido como Os Meninos da Mangueira —, grupo de instrumentistas nascidos e criados no morro. E naquele carnaval de 1979, além de abrir o desfile ao lado de Jamelão, tinha seu nome como coautor do samba-enredo da escola, Avatar. E a selva transformou-se em ouro.

— O samba acabou sendo uma acumulada de três composições: os sambas do Ananias e do Tolito e o meu.

O Juventude Samba Show não havia nascido por ambição. Nasceu por necessidade — a roda de samba da Mangueira estava com muito prejuízo, quase falindo. Osni da Cuica explicava a origem do grupo:

— Todos nós vivemos e sambamos com a Mangueira desde crianças, e resolvemos dar uma força para a escola.

Pelo terceiro ano consecutivo, o grupo abria o desfile no carro de som, acompanhando Jamelão. Depois voltavam para se integrar à ala dos passistas. Abriam o desfile e ainda sambavam nele.

Seu Ananias resumia o que os meninos representavam para os mais velhos:

— O pessoal ficava vibrando com a dedicação e a arte destes garotos, todos vindos da bateria-mirim da escola, com samba e ritmo de deixar muita gente arrepiada.

A história desses meninos com a Mangueira não começou nem terminou em 1979.

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