Foi num domingo de madrugada, início dos anos 1970, que Nélson Cavaquinho percebeu que tinha perdido o violão. Era presente de um jornalista amigo, companheiro das noites. Tinha saído no sábado para Pilares, participar do júri de um festival de música. A volta foi longa, com percurso cheio de paradas, depois de umas-e-outras em muitos bares. Lá pelas tantas, entregou o violão a um dos companheiros. Não sabe qual. E até agora não viu mais.
Segunda-feira a situação piorou. Foi à loja Bandolim de Ouro, na avenida Marechal Floriano, tentar abrir crédito. Escolheu um violão de 600 cruzeiros enquanto aguardava resposta. A casa comercial se recusou a vender sem fiador. Nélson estava magoado.
— Depois de tantas alegrias, de tantas homenagens do público, não podiam fazer isso comigo.
Teve show marcado no Teatro Opinião e precisou pedir violão emprestado. Mas com o lançamento do LP gravado em São Paulo — previsto para o dia 28 no Rio — prometia comprar violão novo.
— E comprar à vista, bonitinho.
A vida de Nélson Cavaquinho tem muito mais dessas histórias.

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