Xangô conhecia as rodas antes de conhecer a fama. Na praça Onze, nos dias de Carnaval, e no terreiro da Igreja da Penha, em outubro, era presença certa. Os batuqueiros e as pastoras abriam a roda, batiam palmas, cantavam o refrão do partido — e a voz forte do pagodeiro improvisava os versos cheios de “remandiola”. Os bambas das mais variadas camadas do samba puro cantavam e aclamavam bem alto o nome de Xangô.
Sua fama correu chão. E o samba da Mangueira falou mais alto no coração do homem. Na verde-rosa, com os ensinamentos do velho Marcelino e de Cartola, Xangô se fez bacharel do samba — título sem diploma, conquistado na roda.
Um dia Cartola cansou e passou o bastão de diretor de harmonia para Xangô — e essa passagem tem história própria. O homem já sabia de tudo em relação à matéria e logo começou a trabalhar.
A velha escola que desfilava em fila indiana passou a desfilar em blocos, as alas, dando uma nova visão ao espectador. Criou a ala de passistas, que se destacava pela individualidade dos movimentos. Orientou a nova formação das baianas. O que o espectador via na avenida, sem saber o nome de quem havia pensado, era o trabalho de Xangô.

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