Fábio do Nascimento chegou à Mangueira por causa de dois homens que o ouviram cantar num bloco em Guadalupe e ficaram encantados. O bloco se chamava Namorar, Eu Sei. Os dois homens eram Jamelão e Tolito. Foi assim que nasceu o Sobrinho da Mangueira.
O apelido veio do próprio Jamelão — e com ele vieram os ensinamentos. Os macetes da profissão. A filosofia prática de quem sabia o que estava falando: “passarinho que não come alpiste não canta.” Sobrinho aprendeu tudo. Aprendeu tão bem que começaram a dizer que o jeito dele cantar, o tipo de voz, o andamento, era parecido com o do mestre.
— Eu não acho. Jamelão é o melhor de todos. Quando ele parar, vai demorar muito tempo para surgir outro igual.
Havia anos que o nome de Sobrinho circulava como o substituto natural de Jamelão na Mangueira. Quando o intérprete anunciou que estava pensando em parar, Sobrinho foi o primeiro a pedir que não o fizesse. Sabia que estava trabalhando contra si próprio, contra um sonho de anos.
Sobrinho não ficou parado esperando a vez. Passou por outras escolas, construiu nome próprio — e voltava sempre. Essa história é longa.

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