As Galinhas do Melão

Melão sem camisa segurando uma enxada no barracão da Mangueira, com uma galinha preta de grande porte em primeiro plano

No carnaval de 1991, o barracão da praça Onze vivia o caos organizado de sempre — esculturas sendo montadas, fantasias ganhando forma, carros empurrados de um lado pro outro. Num canto, havia um cercado simples. Chão de pó, cheiro de tinta fresca, e as galinhas do vigia transitando ali no meio de tudo.

Foi quando um repórter curioso enfiou o nariz no cercado e quis saber o que aquelas aves faziam no meio da correria.

Melão — Moacir Cardoso de Abreu Castello Branco, embora quase ninguém usasse o nome inteiro — não pensou duas vezes. Com o humor rápido que carregou a vida toda, soltou: “Estamos vendendo galinhas para custear as despesas do enredo.”

A frase nasceu pra aliviar o sufoco com graça. Virou matéria de jornal, foto do galinheiro e a insinuação de que a Mangueira andava tão apertada que precisaria vender bicho pra botar a escola na avenida. José Ananias se incomodou, Melão ficou constrangido, e o caso cresceu a ponto de o presidente da Liga das Escolas de Samba ir pessoalmente ao barracão verificar a situação.

Lá, membros da direção explicaram: era piada do Melão, e o trabalho estava adiantado. O mal-entendido se resolveu. A história ficou.

Dessas que os mangueirenses contam rindo.

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