A Mangueira de Chininha nos Anos 60

Chininha da Mangueira posando com braços erguidos e tiara branca, vestindo blusa bordada

Para quem vive o carnaval de corpo inteiro, o calendário vira outra coisa. Setembro chega e a vida real começa — é hora de pensar na fantasia, ensaiar, sentir a quadra ganhar corpo. O resto do ano? Espera.

Chininha — Eli Gonçalves — sabia disso aos vinte anos. Trabalhava numa fábrica de cerâmica como auxiliar de escritório, frequentava cinema, ia nas festinhas do pessoal da Mangueira. Mas a vida de verdade era quando as semanas que precediam o carnaval chegavam e a casa de dona Neuma, sua mãe, absorvia toda a vida do morro.

Dona Neuma desfilava havia vinte e cinco anos. No dia em que não podia sair, chorava. Chininha herdou isso — a devoção que não admite falha. Desde os sete anos desfilava, nunca tinha deixado de sair.

— No dia que isso acontecer nem quero ver a escola formada.

Não fazia questão de lugar. Desfilava de cabrocha, nas alas de baianas — o que importava era que a Mangueira brilhasse.

E o casamento?

— Carnaval não deixa. Quando começo a acertar ele chega e o problema fica adiado.

Não era lamento. Era constatação.

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