No começo dos anos 1950, a Mangueira não tinha muitos recursos. O carnaval custava caro — fantasias, adereços, carros alegóricos — e a escola precisava de quem ajudasse a bancar.
Foi aí que entraram os funcionários da Casa da Moeda.
Servidores públicos que trabalhavam na Casa da Moeda, nos Correios e no Arsenal da Marinha tinham o hábito de formar grupos carnavalescos dentro das próprias repartições. A Casa da Moeda tinha até um bloco próprio. Mas alguns desses funcionários foram além — e passaram a apoiar a Mangueira diretamente, financiando desfiles em vários carnavais da época.
O apoio vinha de diferentes formas. Contribuições em dinheiro arrecadadas entre os próprios servidores, rifas, ajuda para custear fantasias. Quem tinha contato com autoridades abria portas. Quem trabalhava com impressão facilitava o material gráfico. Alguns desfilavam. Outros trabalhavam nos bastidores, na produção de fantasias e adereços.
Era uma rede de solidariedade discreta, construída por gente comum que tinha a Mangueira no coração — e que ajudou a escola a chegar na avenida num tempo difícil.

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