Rivailda do Nascimento Souza — Mocinha — não precisava provar nada a ninguém. Sua tia, d. Raimunda, tinha sido a primeira porta-bandeira da Mangueira. Sua mãe, d. Isabel, bordou com as próprias mãos o primeiro pavilhão com que a escola saiu às ruas. A verde-rosa corria no sangue antes mesmo de qualquer escolha.
Mas escolha ela fez, e foi radical. Durante 25 anos, Mocinha recusou centenas de convites de outras agremiações. Não faltavam ofertas — ela dançava bem, carregava um nome respeitado e tinha tudo o que qualquer escola queria numa porta-bandeira. Mas a resposta era sempre a mesma: não. Enquanto Neide reinava na Mangueira, Mocinha esperava. Não por obrigação — por fidelidade. A Mangueira era também a sua história.
Neide morreu em 1980. O reinado tinha durado 25 anos — o mesmo tempo em que Mocinha esperou. Quando o posto ficou vago, não houve disputa, não houve hesitação. A ocupação se deu como manda a tradição da Mangueira: naturalmente, no tempo certo, para quem sempre deveria estar ali.
Há escolas que se fazem de fora pra dentro, de contrato em contrato. A Mangueira tem outra lógica — e Mocinha sabia disso melhor do que ninguém.

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