Que Negócio É Esse?

Jamelão da Mangueira de chapéu bege, óculos e suéter verde-rosa gesticulando com as duas mãos durante conversa na casa de Zeca Pagodinho em Xerém

Em 1952, o carnaval carioca ganhou algo que nunca tinha tido: a voz do intérprete amplificada no desfile. Era um sistema rudimentar, mas era uma estreia. E quem estava na avenida naquele ano ouviu uma coisa diferente.

Seu Natal, figura lendária do samba e um dos fundadores da Portela, ouviu a voz de Jamelão saindo pelos alto-falantes durante o desfile da Mangueira e não entendeu o que estava acontecendo. Perguntou, espantado: “Que negócio é esse? O Jamelão está cantando bem mais alto que todos, por quê?”

Jamelão cantaria pela Mangueira por quase 60 anos. Em 2008, quando o jornalista Chico Pinheiro anunciou sua morte no Jornal Nacional, Beth Carvalho disse ao vivo: “Nós perdemos a voz do Brasil, a voz mais bonita do Brasil, a voz da negritude.”

Cinquenta e seis anos separavam a pergunta de Seu Natal da frase de Beth Carvalho.

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