Geraldo Pereira nasceu em Minas, mas foi criado no Rio — entre morros e subúrbios, desde os dois anos de idade.
Em 1939, aos 21 anos, estreou no disco. Roberto Paiva gravou Se você sair chorando pela Odeon, e o nome de Geraldo Pereira entrou na história pela primeira vez.
Cinco anos depois, ele voltou ao mesmo Roberto Paiva com um samba novo. Cantou Falsa baiana do jeito que tinha na cabeça — síncopas sacudidas, acentos fora do lugar esperado. Paiva ouviu e não gostou. Disse: “Olha, Geraldo, assim como você está cantando, não dá. O ritmo está todo quebrado. Vai pra casa, endireita o ritmo e traz de novo que eu gravo.”
Geraldo foi.
Falsa baiana saiu gravada por Ciro Monteiro. E o mundo seguiu sem entender bem o que tinha acabado de ouvir.
Anos depois, Roberto Paiva contou essa história ele mesmo, diante das câmeras da TV Cultura, numa série dirigida por Fernando Faro. Teve humildade pra reconhecer: o que ele julgava errado era exatamente a maior contribuição de Geraldo Pereira ao samba. Aquela jogada malandra das síncopas, aquele balanço que parecia quebrado, ia impressionar João Gilberto 17 anos mais tarde — e ajudar a criar a batida da bossa nova.

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