Djalma não era homem de terno. A última vez que havia vestido um havia sido no casamento — isso para mais de 25 anos. Mas naquele dia de 1972, tinha compromisso no Palácio das Laranjeiras. Ia encontrar o presidente Médici.
Desafogou o colarinho. Desabotoou o paletó. Coçou o pescoço com saudade das camisas largas, de peito aberto, sem gola. Mas não deu nenhum vexame. E a fatiota, no fim, ficou impecável.
— A gravata foi a Neuma quem me deu. As abotoaduras, foi Mocinha, segunda porta-estandarte. A camisa, uma loja comercial me deu a fazenda de graça. O sapato, foi o Zé Vaisberg, o Zezinho, do Bola Preta. A fazenda do terno, foi o Salvador e o Armando. E quem fez a roupa foi o alfaiate da Mangueira. Quê que tem dizer? Estivador não pode andar nesse luxo?
Terno escuro, listras cor de chumbo. O parceiro Bira também havia aparecido trajado. “Deus, quando fez o mundo, escreveu por linhas tortas. Pegaram as linhas tortas de Deus e fizeram o terno do Bira.”
No Palácio, o presidente recebeu Djalma de pé e fez questão de que a diretoria se sentasse primeiro. O papo foi descontraído — samba, Carnaval, e os velhos tempos em que Médici era comandante da 4ª Divisão de Infantaria, em Campo Grande, e havia convidado a Mangueira para desfilar. Djalma era, então, vice-presidente da escola.
A visita rendeu convite. O presidente compareceria à roda de samba que a Mangueira ofereceria por ocasião das comemorações do Sesquicentenário da Independência.
— Já teve o Pelé e a Rainha da Inglaterra. Só faltava, mesmo, o presidente Médici ser homenageado pela nossa escola.

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