Mais Velha que a Própria Mangueira

Retrato de Suluca da Mangueira com turbante verde, colares, anéis e unhas vermelhas, mãos cruzadas sobre o peito, diante de painel verde e rosa

Suluca era muito saliente no samba. Requebrava mesmo. Hoje, Arlete da Silva Fialho tem 99 anos e samba “só um cadinho”, porque fica cansada e as pernas doem. Mas ainda pinta o sete na escola. Todo fim de semana vai aos ensaios e às feijoadas, vaidosa que só, sempre com a melhor roupa e com unhas feitas — postiças e de cores vibrantes. Faz uns anos que deixou de vestir a saia rodada da ala das baianas. A decisão veio depois de chorar sentada no meio-fio por causa de uma fantasia pesada demais. Sente saudade. Mas não parou.

Dona Suluca — como é conhecida no morro — é presidente de honra da ala das baianas da Mangueira. Desde mocinha, nos anos 1930, desfila na escola. Depois de tantos carnavais, ainda se emociona na Sapucaí. É irmã do Delegado, mestre-sala da escola. Conviveu com dona Neuma, dona Zica e Cartola nos sambas do Buraco Quente.

A Mangueira tem 98 anos. Ela, 99.

— Nasci em Mangueira. Meu divertimento é a Mangueira. Minha paixão é aqui. Então, tenho que vir.

Quando a filha reclama que ela só quer saber da escola, Suluca não discute. Argumenta.

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