A esquina da Rio Branco com Sete de Setembro ganhou uma batucada direta durante quase toda a tarde. Eram os amigos e admiradores de Herlito Machado Fonseca — o popular Tolito, dono da banca de jornais e revistas daquela movimentada esquina — que trocaram o futebol pelo samba para comemorar a vitória do samba-enredo No Reino da Mãe do Ouro, escolhido pela Mangueira para o Carnaval de 1976.
Em meio à batucada tremulavam as bandeiras da Mangueira e do Botafogo, que Tolito mantinha permanentemente hasteadas na cobertura da banca de metal. E o refrão “ó babá-ó lá-ó babá/ é a mãe do ouro que vem nos salvar” chamava a atenção de quem passava pelo local, atraído pelo som da lataria da banca.
Rouco, de camisa verde e calça rosa, sapatos da mesma cor e um chapéu que mal lhe cabia na cabeça, Tolito recebia os abraços dos amigos que foram felicitá-lo.
A vitória havia sido na madrugada anterior, na quadra da escola. Tolito e seu parceiro Rubem disputaram o samba-enredo com outras duas composições — uma de Darci, Hélio Turco e Jurandir, outra de Dimas Tojal, Delson e Pingo. O júri de nove membros levou 45 minutos para deliberar. A decisão foi unânime. Mas antes mesmo do resultado, quase cinco mil pessoas na quadra já sabiam o que ia acontecer. O refrão havia contagiado todo mundo — executado por último, durante dez minutos.
— Foram seis meses de trabalho em museus e bibliotecas e nós puxamos pra caramba, eu e meu parceiro Rubem. Foi a vitória do samba que faz o povo cantar com vontade. Dizia Tolito.

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