Cinco candidatos queriam presidir a Mangueira em 1978. Um movimento de conciliação reduziu para dois. Lilico entrou como terceira via. No fim, 863 sambistas foram às urnas e Ed Miranda Rosa venceu por apenas 31 votos.
A Mangueira chegou àquela eleição com o prestígio reconhecidamente abalado havia quatro anos. Cinco nomes se apresentaram para disputar a presidência — sinal de que havia disposição para mudar.
Negociações entre os candidatos reduziram o campo para dois: Ed Miranda Rosa, da chapa número 2, Levanta Poeira, e Moacyr Cardoso de Abreu Castello Branco, o popular Melão, da chapa número 1, Avante Mangueira.
Mas o processo não ficou em dois. Lilico, representando a força jovem da escola, entrou na disputa como chapa número 3. Era voz de uma geração que também tinha projeto para a Mangueira. A presença de Lilico tornava a eleição mais complexa.
No domingo de julho de 1978, 863 sambistas legalmente habilitados compareceram às urnas. O resultado foi apertado: Ed Miranda Rosa, com a chapa Levanta Poeira, recebeu 367 votos. Melão, com a Avante Mangueira, ficou com 336. Lilico obteve 147 e 13 brancos. Trinta e um votos separaram o vencedor do segundo colocado.
Quando a chapa Levanta Poeira foi proclamada vencedora, Ed Miranda Rosa foi carregado nos ombros pelos amigos numa volta semi-olímpica em torno da quadra. Em seguida, o grupo subiu ao gabinete da presidência, onde foi novamente aclamado pelos correligionários. Ed Miranda não resistiu à emoção — chorou. O mesmo Ed Miranda que presidia a Velha Guarda agora assumia a presidência da escola.
A posse aconteceu no dia 16 de julho, um domingo, com grande show na quadra. A chapa tinha nome certeiro: Levanta Poeira.

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