O Bloco que Ensinava Carnaval Antigo

Babaú da Mangueira cantando ao microfone com chapéu e óculos durante apresentação na TV Brasil

Aos 79 anos, cego por causa de glaucoma e recuperando-se de uma operação na próstata, Babaú resolveu fundar um bloco em Vila Valqueire. Não era saudade — era missão: mostrar aos mais novos como era o carnaval antes de virar competição, quando compositor mandava mais que carnavalesco.

Quando anunciou que ia fundar o Unidos de Vila Valqueire, todo mundo quis saber se seria verde-rosa. Mas Babaú escolheu verde e branco — em homenagem à União de Jacarepaguá, que emprestou a quadra para os primeiros ensaios, e ao Império Serrano.

— Se eu escolhesse verde-rosa todos diriam que eu estava puxando a brasa para a minha Mangueira. Além do mais, gosto muito do Império Serrano.

O objetivo era claro. Babaú explicava com paciência de quem viu o carnaval se transformar ao longo de sete décadas:

— Não havia carnavalesco ou enredo, já que cada compositor fazia um samba sobre um assunto e na hora escolhíamos o melhor.

Era esse o carnaval que Babaú queria resgatar. A madrinha era Beth Carvalho, mangueirense de coração que topou apadrinhar o bloco verde e branco.

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